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Tragédia na BR-381 poderia ser evitada com medidas simples

Especialista em segurança viária critica inoperância da concessionária que administra o trecho

A BR-381, onde um engavetamento deixou 6 mortos nesta segunda-feira (27), aparece como a terceira colocada no ranking de rodovias federais com o maior número de sinistros de trânsito em 2023, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em agosto, o trecho já havia sido palco de outra tragédia, quando sete pessoas morreram em um sinistro envolvendo um ônibus com torcedores do Corinthians.

Com um tráfego intenso de veículos pesados, o local onde o sinistro aconteceu, em Igarapé, tem três pontos de grandes descidas, o que favorece a ocorrência de engavetamentos se não forem adotadas medidas simples e eficazes que aumentem a segurança de quem trafega pelo local. “É preciso um controle rígido de velocidade através da instalação de radares sequenciais nos pontos que antecedem os trechos de descida, além de obrigatoriedade de caminhões e ônibus trafegarem pela faixa da direita nesses locais. Outras ações baratas e eficazes são a ampliação e adequação da sinalização e a limitação de horário de deslocamento para veículos de carga especial”, enumera o especialista em segurança viária e diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra.


Câmera registrou o momento do engavetamento na BR-381

O especialista explica que a maioria dessas ações pode ser adotada em curto prazo, mas reforça que intervenções estruturais são imprescindíveis para aumentar a segurança de quem transita pela via. “Em determinados trechos não basta um radar. O controle de velocidade tem que ser sequencial, com vários equipamentos para, efetivamente, reduzir a velocidade com que esses veículos pesados trafegam no local. Do ponto de vista fiscalizatório a PRF e ANTT podem ampliar seu efetivo e operação, impedindo a circulação de ônibus clandestinos e de motoristas que descumprem a Lei do Descanso. Além disso o Posto de Pesagem é uma garantia para a durabilidade da malha asfáltica e, principalmente, para coibir o transporte de carga excedente, o que compromete as questões mecânicas desses veículos, principalmente a eficácia dos freios. Tudo isso contribui diretamente para a redução dos sinistros”, comenta.

Investimento que salva vidas
Uma medida de médio prazo e que pode ser adotada ao longo de trechos de descida na Fernão Dias, nos dois sentidos, é a instalação de áreas de escape. “Esta é uma ação que, efetivamente, salva vidas. Em um ano de funcionamento, a área de escape do Anel Rodoviário de BH evitou, pelo menos, 22 sinistros e o custo da intervenção foi de apenas R$ 3,5 milhões. O impacto que os sinistros provocam no SUS, na previdência social e nas famílias, além dos prejuízos econômicos diretos e indiretos superam em muito o investimento em segurança”, comenta Coimbra.

Inoperância da concessionária
Na avaliação do especialista, a concessionária que administra o trecho se omite diante de um problema crônico. “Desde o sinistro com o ônibus de torcedores do Corinthians, a concessionária teve prazo suficiente para adotar medidas de curtíssimo prazo para ampliar a segurança no trecho, porém essa inoperância tem causado sofrimento e perdas econômicas significativas para o país diante das recorrentes interrupções de fluxo por causa de colisões, capotamentos e engavetamentos”, finaliza.