Moneta Comunicação

Conteúdo

Tragédia em RS afeta segurança de policiais penais nos presídios

Por causa da enchente, muitos policiais penais não conseguem ir trabalhar e colegas de plantão não conseguem voltar para suas casas
As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram diretamente o sistema penitenciário do estado, colocando em risco a segurança dos policiais penais e dos detentos. Aproximadamente mil presidiários tiveram suas transferências forçadas pela inundação, superlotando outro complexo prisional, e pelo menos 10 unidades foram alagadas. 
 
A Penitenciária Estadual do Jacuí, por exemplo, teve de realocar 1.057 de detentos para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). “Só para ter uma ideia, a PASC tem dois presos por cela. Todos esses presos foram remanejados. Uma cadeia que tinha 280 presos, agora está com aproximadamente 1.380 detentos”, comenta o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Sul (Sindppen-RS), Kelpes Velasques
 
Para piorar essa situação, muitos policiais penais não estão conseguindo se deslocar para as penitenciárias para trabalhar porque as estradas estão alagadas. “Isso fez com que os servidores que estavam nas unidades tivessem que trabalhar ininterruptamente. No Complexo de Charqueadas, por exemplo, colegas chegaram a ficar sete dias trabalhando direto porque não havia policiais para rendê-los”, comentou Velasques. 
 

Policiais penais enfrentam dificuldades para atuar no Rio Grande do Sul
 
Fábio Jabá, secretário-geral da Federação Nacional Sindical dos Servidores Penitenciários (Fenasppen), destaca a situação complicada em que os colegas do sul atuam. “Já não é fácil atuar dentro de um presídio em condições normais. Agora imagine trabalhar em unidades alagadas, com risco de desabastecimento e toda tensão que uma situação de calamidade pública traz. Para piorar, o sofrimento desses servidores é invisibilizado pelo descaso com que a sociedade encara as unidades prisionais no Brasil”, comenta. 
 
Problemas dobrados
Os desafios para os policiais penais do estado têm sido ainda maiores. Muitos deles estão impossibilitados de trabalhar devido à destruição de suas casas. Segundo o Sindppen-RS, pelo menos 180 servidores estão nessa situação. Cada servidor que não comparece ao trabalho por causa da enchente faz com que outro policial fique preso no serviço, sem poder descansar. “Muitos perderam tudo, outros tiveram perdas parciais, mas por causa dessa situação, eles não estão conseguindo ir trabalhar”, comenta o sindicalista. 
 
Corrente do bem
O secretário-geral da Fenasppen explica que policiais penais de todo Brasil montaram uma corrente de solidariedade para socorrer os colegas do Rio Grande do Sul. “A categoria já enfrenta as dificuldades e precariedade do sistema prisional e isso é amplificado diante desta catástrofe que atingiu o estado. Todo apoio aos colegas do Sul é bem-vindo”, comenta Jabá. 
 
Doações podem ser feitas por meio do PIX para o CNPJ 07.610.921/0001-15, na conta do Sindppen-RS.