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Transporte de passageiros em motos completa 2 anos com alta de acidentes em BH

Segundo dados do João XXIII, de janeiro a 14 de setembro deste ano foram feitos 3.810 atendimentos a motociclistas na cidade

O número de motociclistas atendidos no João XXII em decorrência de acidentes de trânsito cresceu 18% de janeiro a 14 de setembro de 2023, na comparação com o mesmo período do ano passado, em Belo Horizonte. Este ano o hospital realizou 3.810 atendimentos, contra 3.226 no ano passado.

Segundo o Relatório de Sinistros de Trânsito de 2022 feito pela Prefeitura de Belo Horizonte, no ano passado 73% dos acidentes de trânsito com vítimas ocorridos no município envolveram motos. Foram registrados 12.148 sinistros com vítimas na cidade e as motos representaram 8.938 ocorrências.

Além do aumento de venda de motos, que acumula alta de 24% até maio, outro motivo que pode explicar o aumento dos acidentes de trânsito envolvendo motocicletas em BH é a crescente procura pelo serviço de mototáxi. Pesquisa feita pela startup de tecnologia Gaudium revelou que, entre 2021 e 2022, a demanda por viagens de mototáxi cresceu 84% em todo Brasil. No primeiro semestre deste ano, a alta foi de 14%. Segundo o levantamento, o estado de Minas Gerais lidera o ranking de usuários de mototáxi. Os mineiros foram responsáveis por quase metade (R$ 14 milhões) do faturamento da plataforma no Brasil, que até agosto havia movimentado R$ 28,4 milhões.


73% dos acidentes com vítimas ocorridos em BH em 2022 envolveram motos

Sem regras
Há dois anos os aplicativos de transporte de passageiros em motos operam em BH sem qualquer regulamentação municipal. Quando, em 2021, a Uber anunciou a oferta da modalidade na Capital, a Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra) questionou a Prefeitura e a BHTrans sobre quais medidas de segurança seriam adotadas. Na ocasião, a prefeitura afirmou que a BHTRANS e a PBH estavam “analisando e estudando medidas para a regulamentação e fiscalização do serviço”.

Um ano depois, em novembro de 2022, a Ammetra voltou a questionar a Prefeitura sobre a regulamentação e recebeu a mesma resposta. “Há dois anos a prefeitura anuncia que está estudando uma regulamentação e até o momento nada de concreto foi apresentado para garantir a segurança de quem usa esse tipo de serviço”, comenta o diretor científico da Ammetra, Alysson Coimbra.

Em maio deste ano, a BHTrans informou, por meio da assessoria de impresa, que o serviço continuava ilegal. Em setembro a Ammetra voltou a procurar a Superintendência de Mobilidade (Sumob) para saber como estava o estudo da possível regulamentação, mas não obteve resposta. Coimbra avalia que há um descaso da administração com a segurança viária diante de índices tão altos de sinistros e internações envolvendo motos. “A precariedade do transporte público do município motivou essa migração crescente para o transporte em motocicletas, e nesse mesmo período foi registrado o aumento do número de atendimentos a vítimas de sinistros em motos, isso não é coincidência, e sim consequência. Não regular esse serviço é permitir que o número de vítimas seja multiplicado por dois: tanto motociclistas, quanto usuários do serviço”, reforça o especialista.


O diretor científico da Ammetra, Alysson Coimbra

Sobrecarga no SUS
Em todo Brasil, as motocicletas representam 22% da frota total de veículos, mas os motociclistas são responsáveis por 54% das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Datasus, no ano passado, pelo menos 129.644 motociclistas precisaram ser atendidos após se envolverem em sinistros.

O diretor da Ammetra explica que as grandes cidades não suportam esse tipo de serviço porque os motociclistas são inseridos no trânsito sem o preparo adequado. Esse cenário, associado à falta de gestão de tráfego, de espaço físico e de regulamentação e fiscalização, dificulta o exercício seguro dessa atividade. “Motociclistas intercalam o transporte de uma encomenda e o de uma vida sob a mesma ótica perversa na qual o tempo é lucro, mas a pressa e o despreparo só levam ao aumento dessas tragédias evitáveis”, completa Coimbra.